PT e PSL lideraram amplamente a atividade no Twitter durante 2019

Por Erick Gómez Nieto

Não é novidade que as redes sociais se consolidaram como uma das formas mais eficazes de divulgar informações, tanto pela simplicidade da interação entre usuários e plataformas digitais, quanto pelo possível alcance das publicações em termos de audiência. O Twitter, especificamente, funciona como um canal para transmitir opiniões, discutir ideias e compartilhar informações de interesse público, entre outras utilidades. Essas capacidades têm sido amplamente exploradas em diferentes contextos, desde assuntos como gastronomia e esportes até economia e política. O poder legislativo no Brasil, como muitas outras instituições do mundo, tem uma participação ativa no Twitter. Deputados e senadores usam a plataforma para tornar públicas suas posições sobre questões políticas diversas. Tal como apresentado em post anterior, mais de 80% dos parlamentares tiveram atividade no Twitter, ao longo de 2019. Assim, devido à relevante quantidade de informações produzidas neste ambiente virtual, a compreensão das interações entre os atores ali presentes e suas dinâmicas de uso da ferramenta constituem tema de interesse, tanto acadêmico quanto no debate público mais amplo.

Áreas de pesquisa estabelecidas, tais como a da Inteligência Artificial e da Otimização e Visualização de Dados, buscam o desenvolvimento de novos métodos para analisar os gigantescos volumes de dados produzidos a cada minuto nas redes sociais. No entanto, a visualização de dados, em comparação com outras estratégias que funcionam de maneira completamente automática, distingue-se pela capacidade de fornecer ao analista representações gráficas interativas que ampliam o potencial de exploração analítica e introduzem novas dimensões de conhecimento, ao permitir a descoberta de novos insights a partir de dados.

 




 

O gráfico apresentado acima sumariza o número total de tweets (o termo tweet é usado para definir uma postagem feita no Twitter) por partido político, em 2019, dividindo entre deputados (azul) e senadores (amarelo). À primeira vista, destacam-se alguns elementos: os partidos políticos com maior bancada na Câmara dos Deputados são os que somam o maior número de posts,  PT e PSL, com 73396 e 57287, respetivamente.  A partir da terceira posição, com o PODEMOS (21047 posts), observa-se uma queda substancial no número de publicações: menos da metade das postagens que o segundo colocado. Cabe destacar, no entanto, que PODEMOS  e PSOL (terceiro e quarto em postagens, respectivamente) apresentam atividade bastante intensa, especialmente se considerarmos que suas bancadas são significativamente menores do que outros partidos tradicionais do Congresso Nacional, como PP, PSDB, MDB e DEM. A partir do quinto  colocado (PSDB) até o décimo sétimo (PROS), o comportamento é quase constante, sugerindo que a diminuição do número total de publicações por partido corresponde à redução da quantidade de indivíduos em cada bancada no congresso. No entanto, o partido SOLIDARIEDADE (SOLI) possuindo somente 9 deputados e nenhum senador no Congresso, tem aproximadamente o mesmo número de postagens que o partido político REDE, que possui 1 deputados e 3 senadores no congresso, o que sugere, como em casos anteriores, um maior esforço para o uso das redes sociais. Finalmente, colocado na última posição, encontra-se o único parlamentar (no momento) sem partido político, Flavio Bolsonaro, com 214 posts ao longo do 2019, ligeiramente atrás do partido AVANTE com 4 deputados no congresso.

O Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP) vem empregando métodos avançados de análise, tais como os fornecidos pela visualização de dados, para identificar fenômenos que possam ser estudados a profundidade, sobre as redes de interação em mídias sociais e análise do discurso dos parlamentares. A equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto é composta pelos pesquisadores Efraín García Sanchez, Erick Gomez Nieto, Gustavo Higa, Marcos César Alvarez e Pedro Benetti. Stay tuned!

*Foram considerados apenas os deputados e senadores com conta no Twitter