Sustentabilidade é primordial para o desenvolvimento de São Paulo

No entanto, para Buckeridge, uma cidade sustentável não pode prescindir da diminuição da desigualdade

Por Jornal da USP

 

Foi lançado recentemente o Dossiê Cidades Globais, publicado na Revista do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. O material é composto por oito artigos que abordam atividades feitas no Programa USP Cidades Globais. Esta é a segunda publicação do programa, na primeira o foco foi sobre saúde. Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências (IB) da USP e coordenador do programa, conversou com o Jornal da USP no Ar para falar sobre o dossiê.

“Nesse dossiê abordamos muito mais os itens de sustentabilidade. […] Também temos artigos que versam sobre a questão dos mecanismos relacionados às leis que criamos há muitos anos, como leis ambientais federais e conselhos, leis em nível estadual e municipal, e a articulação disso tudo para que o sistema possa funcionar melhor, fazendo com que a cidade ganhe sustentabilidade, ao mesmo tempo em que tudo seja mais justo com a diminuição da desigualdade” afirma Marcos Buckeridge.

No dossiê, há uma proposta de nova estrutura para a organização da cidade de São Paulo, com divisão em oito padrões urbanos. Para Buckeridge, isso se reflete como um desafio na maneira como se faz a divisão política da cidade em subprefeituras ou prefeituras regionais. “Estamos administrando a cidade de uma forma que não reflete o ponto de vista cultural e estrutural.”

Segundo o professor, a existência de vários projetos ajudam a pensar São Paulo como um teste, apesar da complexidade da megalópole. Para ele, a cidade possui uma criatividade muito elevada, com vários acontecimentos simultâneos. Ele acredita que a capital possui condições para atingir um nível de sustentabilidade satisfatório, porém, é necessário “colocar o dedo na ferida” na questão da desigualdade, equalizando a periferia ao utilizar a proposta de divisão dos oito padrões. De acordo com Marcos Buckeridge, essa seria uma forma de abordar melhor a cidade, usando um planejamento estratégico, além das leis e mecanismos de financiamentos já existentes.

Essas medidas contribuem para que se possa evitar, por exemplo, graves consequências de eventos climáticos extremos, como a histórica chuva que caiu em São Paulo no último dia 10. “A gente já poderia estar preparado. O aviso desses eventos extremos vêm sendo dado reiteradamente pelos cientistas. [Minha surpresa] é não estarmos preparados para isso ainda. Cidades como Paris e Nova York investem muito dinheiro para lidar com as consequências das mudanças climáticas. São Paulo tem que fazer a mesma coisa”, orienta o diretor do IB.

Para ter acesso ao Dossiê clique no mapa que aparece no site do Programa USP Cidades Globais e baixe os PDFs.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.