“É essencial que se mostre o drama de quem sofreu aquele crime” diz Caco Barcellos em entrevista no NEV

Por Alan Felipe

Caco Barcellos é um dos repórteres mais premiados do Brasil e veio ao NEV conversar sobre jornalismo e direitos humanos. Ele ganhou duas vezes o prêmio Jabuti, com seus livros “Rota 66 – A história da Polícia que Mata”, em 1993, e “Abusado – O Dono do Morro Dona Marta”, de 2004. Atualmente está à frente do Profissão Repórter, na TV Globo.

Para Barcellos, o jornalismo que cobre direitos humanos vive um momento paradoxal. “Por um lado, eu vejo que muitos colegas e muitos veículos bastante antenados e atentos aos crimes relacionados ao desrespeito de direitos fundamentais, com trabalhos brilhantes realizados. E de outro lado parece que hoje tem muita gente, muitos colegas e veículos que apoiam o desrespeito aos direitos fundamentais”.

Veja o vídeo com a conversa entre ele e Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do NEV

Barcellos também detalha como é seu procedimento diante de um crime brutal. “É essencial que se mostre o drama de quem sofreu aquele crime. (…) Sempre que a polícia mata um indivíduo, digamos com 24 anos de idade, o que é muito comum, esse indivíduo pode ter dois ou três filhos, que se tornarão órfãos e que provavelmente, na semana seguinte ou ao longo dos anos, ao ver uma viatura na frente dele, nunca vai associar a algo que veio trazer segurança ou harmonia na vida deles”.

Na tese de doutorado “A autoridade policial em São Paulo: os cidadãos e a eficiência e legitimidade da polícia” (2019) do Frederico Castelo Branco, cientista político do NEV, há uma descoberta parecida. No estudo, dados coletados na cidade de São Paulo, em 2015, comprovam que uma experiência negativa no contato com a polícia deixa marcas na percepção da eficiência e do preparo da instituição.

Na conversa com o NEV, o repórter também compartilhou a fórmula do programa e disse que a universidade é essencial para o jornalismo de qualidade.  “Na nossa dinâmica, a academia, a ciência, o estudo é fundamental. Porque se não fica sem contexto”. Barcellos diz que além da fonte de alta credibilidade, o Profissão Repórter conta com o “Front” para poder atestar se o que os cientistas estão mostrando “tem sintonia com a realidade”. Por fim, a reflexão dele e dos outros repórteres: “o nosso jeito de olhar o mundo”.

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