São Paulo em três perspectivas

Nas cidades brasileiras, sobretudo nos grandes centros urbanos, a desigualdade social fica evidenciada pela questão da ocupação dos espaços urbanos. Esses centros são caracterizados por espaços heterogêneos e condições de vida diferenciadas, sejam elas econômicas, demográficas, sociais ou criminais.

São Paulo é um exemplo dessas distinções. Na capital paulista há bairros com espaços inadequados para moradia e para o crescente movimento de veículos e pedestres, nos quais faltam higiene e serviços sanitários e são escassos a diversificação de instituições e agentes públicos capazes de atender às demandas cidadãos. Mas, também existem bairros em claro processo de modernização, com uma série de intervenções, investimentos e importantes patrimônios edificados, em que as pessoas pareciam se sentir mais resguardadas. Assim coexistem áreas de alto padrão de qualidade de vida e outras de extrema miséria.

Três estudos tomam como objeto de investigação essa diversidade de espaços e as implicações dela para a qualidade de vida das pessoas e para as políticas públicas em geral. Um desses estudos foi desenvolvido pela Fundação Seade, o qual por meio do indicador IPVS oferece um diagnóstico das comunidades mais vulneráveis da cidade e desde sua criação pode ser considerado uma referência obrigatória para todos aqueles que desejam analisar a complexidade urbana paulista e paulistana.

O segundo estudo foi realizado pelo NEV-USP e, ao oferecer um melhor discernimento das singularidades da cidade, permite uma aproximação, ao menos em parte, da complexidade das relações institucionais e humanas. Enfim, o terceiro estudo, fruto da recente tese de doutorado da arquiteta Katia Canova, propõe indicadores de urbanidade e justiça espacial e oferece subsídios para a decisões de planejamento urbano como, além de ressaltar a importância de vivenciar a cidade.

Com o objetivo de integrar as discussões desses estudos o NEV-USP promoverá o Seminário “Cidades e desigualdades: o que os estudos ensinam sobre os cenários pré-eleitoral e pós-pandêmico?”. Um momento para refletir sobre a vida nas cidades, aumentar a compreensão sobre a temática das políticas públicas intraurbanas e fomentar o diálogo entre academia, sociedade civil e setor público sobre boas práticas e soluções urbanas. Essas três ações tão essenciais no período que estamos, ou seja, próximos de mais uma eleição e de distanciamento social.

Abertura e moderação:
Marcos César Alvarez

Palestrantes:

Katia Canova
Marcelo Batista Nery
Maria Paula Ferreira

Debatedores:

Raquel Rolnik
Sérgio Adorno

Inscrições
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