Cinedebate no dia 10 de junho exibe documentário “Alcindo” e aborda racismo em Portugal

05/06/2024

“A 10 de Junho de 1995, sob o pretexto múltiplo de celebrar o Dia da Raça e a vitória para a Taça de Portugal do Sporting, um grupo volumoso de etnonacionalistas portugueses sai às ruas do Bairro Alto para espancar pessoas negras que encontra pelo caminho. O resultado oficial foram 11 vítimas, uma delas mortal, cuja trágica morte na Rua Garret atribui o nome ao processo de tribunal – o caso Alcindo Monteiro. Este é um documentário sobre uma noite longa – uma noite do tamanho de um país.”

Esta é a sinopse do documentário “Alcindo”, realizado por Miguel Dores, que será apresentado na FFLCH-USP no dia 10 de junho às 14h30, por iniciativa da pesquisadora portuguesa Verónica Ferreira, que realiza pós-doutorado no Núcleo de Estudos da Violência. A exibição do filme será seguida de um debate com as convidadas Ariana Furtado, ativista portuguesa integrante do Movimento Vida Justa, e Antônia Quintao, Professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. A mediação será feita por Henrique Chaves, que co-organiza a atividade com a pós-doutoranda do NEV. Chaves é Presidente da Frente Antirracista em Portugal, integra, na USP, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM), e atua também na Unidade de Investigação sobre Governação, Competitividade e Políticas Públicas da Universidade de Aveiro (GOVCOPP/UA) e no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES/IUL).

A atividade acontece na modalidade presencial, na Sala 118 do Departamento de Sociologia da FFLCH/USP, localizada no campus Butantã, em São Paulo. A entrada é gratuita, não há necessidade de inscrições prévias.

 

O significado da data

Realizar o evento no dia 10 de junho é mais do que uma coincidência com a data do homicídio retratado no documentário: hoje, a data é celebrada em Portugal como o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, mas já foi o “Dia da Raça”, até 50 anos atrás (ano da Revolução dos Cravos).

“O documentário apresenta um retrato do racismo lusitano que se apresenta agora com o objetivo de quebrar o mito dos brandos costumes e da multiculturalidade tranquila do país”, adianta Verónica Ferreira.

O debate abordará as raízes coloniais do racismo, num momento em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fala em “reparações históricas”, embora sem o lançamento de um programa de governo. De acordo com Ferreira, não se realiza, em Portugal, uma crítica aprofundada sobre a narrativa da “expansão portuguesa” e um debate público sério sobre os rastros desse passado.