10 Filmes Sobre a Ditadura Militar

Por Alan Felipe

Em 2009, o Núcleo de Estudos da Violência realizou a mostra “Espectros em Retrospecto: O cinema como memória de regimes autoritários”, uma parceria com o Centro Cultural Olido e o Cinusp Paulo Emílio. Nesta mostra, foram exibidos 17 filmes, entre nacionais e estrangeiros, que falavam de governos autoritários, a grande maioria sobre a ditadura militar brasileira, além de debates conjunto a exibições.

A mostra Espectros em Retrospecto tinha como objetivo “apressar o acerto de contas com os torturadores no Brasil, para nos beneficiarmos de outras visões”, como dito na apresentação do projeto pelo fundador do NEV e, na época, coordenador geral do núcleo, Paulo Sérgio Pinheiro. Na época, ainda não havia a Comissão Nacional da Verdade, que apontou responsáveis diretos e indiretos pela prática de tortura e assassinatos entre 1964 e 1985.

O NEV relembra 10 filmes que discutem o período da ditadura militar e que estavam na mostra Espectros em Retrospecto.

15 Filhos 

Uma visão das consequências humanas da ditadura militar no país a partir do depoimento dos filhos de desaparecidos ou mortos pelo regime. Além dos relatos, gravados em preto-e-branco, o filme traz imagens em cor da queda do presidente chileno Salvador Allende e das dependências de uma delegacia de polícia em São Paulo onde eram mantidas famílias de presos políticos.


Ação Entre Amigos

Lutando contra o regime militar brasileiro, os amigos Miguel, Paulo, Elói e Osvaldo são presos pelas forças de repressão da ditadura em 1971 e torturados durante meses por Correia, responsável pela morte de Lúcia, namorada de Miguel. Vinte e cinco anos depois, os quatro amigos se reúnem ao tomar conhecimento de que o torturador, ao contrário da versão oficial, está vivo. Decidem então sequestra-lo e matá-lo. Todavia, ao ser capturado, Correia faz uma revelação surpreendente que muda toda a história.


Cidadão Boilesen

Através de diversos depoimentos, o documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar. Seu apoio, assim como de muitos outros empresários, financeiro ao movimento de repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi.


Memória para Uso Diário

Filme realizado pelo Grupo Tortura Nunca Mais, uma organização formada por ativistas, militantes da esquerda e parentes de mortos e desparecidos durante o período do regime militar no Brasil, buscando manter viva a memória daqueles que perderam suas vidas nos 21 anos de ditadura como uma forma de não repetir o passado no futuro.


Que bom te Ver Viva

Ex-presas políticas da ditadura militar brasileira analisam como puderam enfrentar as torturas e prisões, relatando as situações e como sobreviveram a esse período, onde delírios e fantasias são recorrentes. O filme intercala cenas documentais com um monólogo ficcional, que é um amálgama dos relatos e das memórias dessas corajosas mulheres.


Sônia Morta e Viva

Trajetória da militante revolucionária Sônia Moraes Angel Jones, integrante do grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, que foi morta durante a Ditadura no Brasil.


Vala Comum

A partir de uma vala comum clandestina encontrada no Cemitério de Perús, um passado mantido oculto emerge para exumar uma parte da história recente do país.


Vlado: 30 anos depois

A história do jornalista Vladimir Herzog, assassinado na prisão em 1975 durante o regime militar brasileiro, contada através de depoimentos de pessoas que conviveram com ele.


Você também pode dar um presunto legal

Filmado clandestinamente, o documentário faz uma reflexão sobre a atuação do Esquadrão da Morte, sob o comando do delegado Sergio Paranhos Fleury, que serviu de guia e treinamento para a violenta repressão política, com torturas e assassinatos durante a ditadura militar. Inclui uma imagem nunca divulgada pela TV brasileira do delegado Fleury sendo condecorado pela Marinha brasileira.


Guerra sem Fim – Resistência e Luta do Povo Krenak

O único filme que não foi apresentado na mostra “Espectros em Retrospecto” é Guerra sem Fim, mas que apresenta a violência sofrida pelos indígenas. O documentário conta com depoimentos do povo Krenak, além de especialistas sobre a resistência e luta contra a perseguição e genocídio da etnia durante o período do regime militar no Brasil. O filme tem roteiro e direção de Fabrício Bonni e do pesquisador do NEV, Vitor Blotta